Calculadora – Diagnóstico Diferencial de Taquicardia de QRS Estreito

Diagnóstico Diferencial de Taquicardia de QRS Estreito

Por Professor Moso

Ferramenta de apoio didático em formato de árvore de decisão para o diagnóstico diferencial de taquicardia de QRS estreito (<120 ms), baseada em regularidade do ritmo e resposta à manobra vagal/adenosina. As cores dos resultados indicam a natureza da conduta sugerida em cada ramo (verde = achado tranquilizador/já resolvido, laranja = diagnóstico acionável, vermelho = resposta inconclusiva que exige reavaliação) — não se trata de um escore de risco numérico.
Sempre avalie estabilidade hemodinâmica primeiro. Paciente instável (hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, dor torácica isquêmica, sinais de choque ou congestão aguda) tem indicação de cardioversão elétrica sincronizada imediata conforme o algoritmo de taquicardia do ACLS — esta ferramenta não substitui essa decisão e destina-se ao paciente estável, já com QRS <120 ms confirmado no traçado.

Passo 1 — O ritmo é regular ou irregular?

Use réguas/calipers no traçado para comparar os intervalos R-R.

Observações Importantes

Faixas de frequência cardíaca de referência

RitmoFrequência típicaIntervalo RP
Taquicardia sinusal< 220 − idade (bpm)Normal (P sinusal antes do QRS)
AVNRT típica140–220 bpm<70 ms (P não visível/entalhada)
AVRT ortodrômica150–250 bpmCurto porém visível, distintamente após o QRS
Flutter atrialAtrial 280–320/min; ventricular ~150/min (bloqueio 2:1 clássico)Ondas F em serrote, sem P discreta
Taquicardia atrial focal100–180 bpmVariável, morfologia de P anormal
Taquicardia atrial multifocal (TAM)100–150 bpm (pode chegar a 250)≥3 morfologias distintas de P
Fibrilação atrialResposta ventricular 120–180 bpm (variável)Sem P organizada

O que são AVNRT e AVRT?

SiglaNome completoCircuito de reentrada
AVNRT Taquicardia por Reentrada Nodal Atrioventricular (AV Nodal Reentrant Tachycardia) Inteiramente dentro do nó AV, que possui duas vias funcionalmente distintas (uma rápida e uma lenta). Na forma típica (“slow-fast”, ~90% dos casos), o impulso desce pela via lenta e retorna pela via rápida. É a causa mais comum de taquicardia paroxística supraventricular regular (>50% dos casos).
AVRT Taquicardia por Reentrada Atrioventricular (Atrioventricular Reentrant Tachycardia) Usa o nó AV em um sentido e uma via acessória (feixe de tecido condutor extra, fora do nó AV, ligando átrio e ventrículo diretamente — ex.: feixe de Kent na síndrome de Wolff-Parkinson-White) no outro sentido. Na forma ortodrômica (mais comum), a descida é pelo nó AV e a subida pela via acessória, gerando QRS estreito.

Sobre a manobra vagal e a adenosina

  • Manobra vagal (Valsalva, massagem do seio carotídeo) e adenosina aumentam transitoriamente a refratariedade do nó AV, criando um bloqueio AV breve — útil apenas em ritmos regulares que dependem do nó AV como parte do circuito (AVNRT, AVRT) ou cuja atividade atrial fica mascarada pela frequência ventricular alta (flutter, taquicardia atrial focal).
  • Em ritmos irregulares (fibrilação atrial, TAM, flutter com bloqueio variável), nenhum deles depende do nó AV para se manter — de forma geral, não há papel diagnóstico ou terapêutico rotineiro para vagal/adenosina nesse grupo.
  • Cuidado: evitar adenosina em taquicardia irregular de QRS largo (possível fibrilação atrial pré-excitada em paciente com via acessória / WPW) pelo risco teórico de acelerar a condução pela via acessória — este ponto não se aplica ao QRS estreito, tema desta calculadora.
  • Resposta ausente pode significar dose/técnica inadequada (veia fina, bolus lento, sem flush rápido) — antes de mudar a hipótese diagnóstica, considere repetir com técnica correta em acesso calibroso.

Fontes

  • EMCrit Project — IBCC: Supraventricular Tachycardia (SVT), Josh Farkas.
  • Life in the Fast Lane (LITFL) — ECG Library: Multifocal Atrial Tachycardia (MAT).
  • CardioGuide.ca — Diagnostic Algorithm for Narrow QRS Tachycardia.
  • ACLS-Algorithms.com — Adenosine dosing in ACLS.

Ferramenta de apoio educacional. Não substitui o julgamento clínico nem a avaliação de um traçado completo de 12 derivações por um médico habilitado.

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