Calculadora – Taquicardia Ventricular vs. TSV com Aberrância

Taquicardia Ventricular vs. TSV com Aberrância

Brugada, Vereckei (aVR) e Santos (D12V16) — por Professor Moso

Atenção: em taquicardia de QRS largo com instabilidade hemodinâmica, trate sempre como taquicardia ventricular (TV) até prova em contrário. Estes algoritmos são ferramentas de apoio diagnóstico em pacientes estáveis — nenhum tem sensibilidade de 100% para excluir TV.

Como avaliar o complexo RS nas precordiais (Passos 1 e 2)

Sem RS (concordância) só R (ou só QS) em toda precordial RS >100ms início da R até o nadir da S

No Passo 1, verifique se todas as derivações precordiais (V1 a V6) têm complexo monofásico (só R, ou só QS) — sem nenhum RS. No Passo 2, meça do início da onda R até o ponto mais baixo (nadir) da onda S em qualquer precordial.

Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).

1
Ausência de complexo RS em TODAS as derivações precordiais (V1 a V6)?
Todas as precordiais mostram apenas R (positivo puro) ou apenas QS (negativo puro), sem nenhuma RS
2
Intervalo RS > 100ms em pelo menos uma derivação precordial?
Do início da onda R ao nadir da onda S (0,10s = 2,5 quadradinhos pequenos)
3
Dissociação atrioventricular?
Ondas P visíveis em frequência diferente e independente do QRS

Padrões morfológicos de TV em V1 e V6 (Passo 4)

Sugere TV V1: orelha esquerda mais alta (qR/R monof.) Sugere TSV V1: orelha direita mais alta (rSR’ clássico)

Compare a altura das duas “orelhas de coelho” em V1 e observe o padrão em V6 conforme a lista abaixo. Marque todos os achados presentes — qualquer um já preenche o Passo 4.

Como avaliar o complexo em aVR

>40ms entalhe onda inicial (r/q) aVR predominantemente negativo

Observe o traçado em aVR: se a deflexão inicial for positiva (R), ou se a onda inicial negativa (r/q) for larga (>40ms) ou tiver um entalhe na descida, isso sugere TV.

Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).

1
Onda R inicial (deflexão positiva) logo no início do QRS em aVR?
Em TSV com aberrância, o impulso costuma se afastar de aVR (onda inicial negativa)
2
Duração da onda r ou q inicial > 40ms (1 quadradinho pequeno) em aVR?
Batimentos de origem ventricular conduzem mais devagar pelo miocárdio
3
Entalhe (notch) na fase descendente inicial do complexo predominantemente negativo em aVR?
Aspecto “irregular/serrilhado” da descida inicial
4
Relação Vi/Vt ≤ 1?
Compare a variação de voltagem nos primeiros 40ms (Vi) com os últimos 40ms (Vt) do QRS

Como avaliar a polaridade predominante do QRS

Positiva (R/S ≥ 1) onda R domina sobre a S Negativa (R/S < 1) onda S domina sobre a R

Para cada uma das 4 derivações abaixo, classifique se o complexo QRS é predominantemente positivo (onda R maior que a S) ou predominantemente negativo (onda S maior que a R).

Derivação I
Derivação II
V1
V6

Observações Importantes

Sobre os métodos

Brugada: algoritmo clássico de 4 passos sequenciais. Sensibilidade global de aproximadamente 87% e especificidade de 60-90% para TV, dependendo do passo. É o mais estudado e amplamente citado, porém o Passo 4 exige leitura morfológica mais treinada.

Vereckei (aVR): algoritmo simplificado que usa apenas a derivação aVR, mais rápido de aplicar à beira do leito.

Santos (D12V16): algoritmo brasileiro (Santos Neto et al., Arq Bras Cardiol 2021) baseado apenas na polaridade do QRS em 4 derivações (I, II, V1, V6) — de aplicação visual simples, útil para profissionais com menos experiência em eletrocardiografia. Especificidade final de 85,1%, mas sensibilidade final de apenas 68,7% — ou seja, uma conclusão de “TSV-A” por este método não afasta TV com segurança.

Desempenho diagnóstico reportado

MétodoEtapa/CritérioSensibilidadeEspecificidade
BrugadaAlgoritmo completo~87%60–90%
Santos (D12V16)Etapa 1 (4 derivações negativas)1,0%100%
Santos (D12V16)Etapa 2 (≥3 de 4 negativas)28,0%97,4%
Santos (D12V16)Etapa 3 (≥2 negativas, incl. I e/ou V6)68,7%85,1%

Limitações e segurança

Nenhum desses algoritmos tem sensibilidade de 100% — uma conclusão de “TSV com aberrância” nunca deve, isoladamente, afastar TV com segurança absoluta, especialmente no algoritmo de Santos (sensibilidade final de apenas 68,7%). Em caso de dúvida, instabilidade hemodinâmica, cardiopatia estrutural conhecida ou história de infarto prévio, trate como TV. Estes algoritmos são ferramentas de apoio ao raciocínio diagnóstico, não substituem avaliação de eletrofisiologia/cardiologia quando disponível.

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