Taquicardia Ventricular vs. TSV com Aberrância
Brugada, Vereckei (aVR) e Santos (D12V16) — por Professor Moso
Como avaliar o complexo RS nas precordiais (Passos 1 e 2)
No Passo 1, verifique se todas as derivações precordiais (V1 a V6) têm complexo monofásico (só R, ou só QS) — sem nenhum RS. No Passo 2, meça do início da onda R até o ponto mais baixo (nadir) da onda S em qualquer precordial.
Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).
Padrões morfológicos de TV em V1 e V6 (Passo 4)
Compare a altura das duas “orelhas de coelho” em V1 e observe o padrão em V6 conforme a lista abaixo. Marque todos os achados presentes — qualquer um já preenche o Passo 4.
Como avaliar o complexo em aVR
Observe o traçado em aVR: se a deflexão inicial for positiva (R), ou se a onda inicial negativa (r/q) for larga (>40ms) ou tiver um entalhe na descida, isso sugere TV.
Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).
Como avaliar a polaridade predominante do QRS
Para cada uma das 4 derivações abaixo, classifique se o complexo QRS é predominantemente positivo (onda R maior que a S) ou predominantemente negativo (onda S maior que a R).
Observações Importantes
Sobre os métodos
Brugada: algoritmo clássico de 4 passos sequenciais. Sensibilidade global de aproximadamente 87% e especificidade de 60-90% para TV, dependendo do passo. É o mais estudado e amplamente citado, porém o Passo 4 exige leitura morfológica mais treinada.
Vereckei (aVR): algoritmo simplificado que usa apenas a derivação aVR, mais rápido de aplicar à beira do leito.
Santos (D12V16): algoritmo brasileiro (Santos Neto et al., Arq Bras Cardiol 2021) baseado apenas na polaridade do QRS em 4 derivações (I, II, V1, V6) — de aplicação visual simples, útil para profissionais com menos experiência em eletrocardiografia. Especificidade final de 85,1%, mas sensibilidade final de apenas 68,7% — ou seja, uma conclusão de “TSV-A” por este método não afasta TV com segurança.
Desempenho diagnóstico reportado
| Método | Etapa/Critério | Sensibilidade | Especificidade |
|---|---|---|---|
| Brugada | Algoritmo completo | ~87% | 60–90% |
| Santos (D12V16) | Etapa 1 (4 derivações negativas) | 1,0% | 100% |
| Santos (D12V16) | Etapa 2 (≥3 de 4 negativas) | 28,0% | 97,4% |
| Santos (D12V16) | Etapa 3 (≥2 negativas, incl. I e/ou V6) | 68,7% | 85,1% |
Limitações e segurança
Nenhum desses algoritmos tem sensibilidade de 100% — uma conclusão de “TSV com aberrância” nunca deve, isoladamente, afastar TV com segurança absoluta, especialmente no algoritmo de Santos (sensibilidade final de apenas 68,7%). Em caso de dúvida, instabilidade hemodinâmica, cardiopatia estrutural conhecida ou história de infarto prévio, trate como TV. Estes algoritmos são ferramentas de apoio ao raciocínio diagnóstico, não substituem avaliação de eletrofisiologia/cardiologia quando disponível.