Calculadora – Sobrecarga Ventricular Esquerda (SVE)

Calculadora de Sobrecarga Ventricular Esquerda (SVE)

Sokolow-Lyon, Cornell e Romhilt-Estes — por Professor Moso

Como medir S (V1) e R (V5 ou V6)

S V1 R V5 ou V6

Meça a profundidade da onda S em V1 e a altura da onda R em V5 ou V6 (use a maior entre as duas). Some as duas medidas em milímetros.

Calibração padrão do ECG: 10mm = 1mV (cada quadradinho pequeno do papel = 1mm).

SV1 + R(V5/V6) = mm

Como medir R (aVL) e S (V3)

R aVL S V3

Meça a altura da onda R em aVL e a profundidade da onda S em V3. Some as duas medidas em milímetros e compare ao corte específico para o sexo informado.

Calibração padrão do ECG: 10mm = 1mV (cada quadradinho pequeno do papel = 1mm).

R(aVL) + S(V3) = mm

Como identificar o critério de voltagem

R ou S ≥20mm Derivação periférica S ≥30mm V1 ou V2 R ≥30mm V5 ou V6

Qualquer um dos três achados acima já preenche isoladamente o critério de voltagem (+3 pontos) — não é necessário somar entre si. Os demais critérios do Romhilt-Estes (ST-T, sobrecarga atrial, eixo, QRS, deflexão intrinsecóide) são avaliados diretamente no traçado, sem medida em milímetros.

Calibração padrão do ECG: 10mm = 1mV (cada quadradinho pequeno do papel = 1mm).

Como identificar a sobrecarga atrial esquerda (onda P em V1)

≥1mm ≥40ms componente inicial (+) componente terminal (−) Onda P bifásica — V1

Meça a porção terminal negativa da onda P em V1 (após o componente inicial positivo): profundidade a partir da linha de base e duração do início ao fim dessa deflexão negativa.

Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).

Como medir a deflexão intrinsecóide (V5 ou V6)

≥50ms (0,05s) início do QRS pico da onda R Deflexão intrinsecóide — V5 ou V6

Meça o tempo do início do QRS até o pico da onda R (deflexão intrinsecóide), em V5 ou V6. Não confunda com a duração total do QRS.

Calibração padrão do ECG: 25mm/s (cada quadradinho pequeno na horizontal = 40ms).

Pontuação total = pontos

Observações Importantes

Sobre os métodos

Sokolow-Lyon: soma a onda S em V1 com a maior onda R entre V5 e V6. Critério simples e amplamente usado, com alta especificidade porém baixa sensibilidade — sujeito a falso-negativo em obesos (atenuação do sinal) e falso-positivo em jovens magros e atletas.

Cornell: soma a onda R em aVL com a onda S em V3. Tem a vantagem de usar critérios diferentes para homens e mulheres, o que melhora a acurácia em relação a critérios únicos como o Sokolow-Lyon.

Romhilt-Estes: sistema de pontos que combina critérios de voltagem, alterações de ST-T, sobrecarga atrial esquerda, desvio de eixo, duração do QRS e deflexão intrinsecóide. Por combinar múltiplos achados, tende a ser mais específico que os critérios isolados de voltagem.

Tabela de interpretação

MétodoCorteInterpretação
Sokolow-LyonSV1 + R(V5/V6) > 35mmCritério presente (positivo) para SVE
Cornell>28mm (homens) / >20mm (mulheres)Critério presente (positivo) para SVE
Romhilt-Estes≤3 pontosSem critérios eletrocardiográficos de SVE
Romhilt-Estes4 pontosSVE provável
Romhilt-Estes≥5 pontosSVE definitiva

Limitações

Todos os critérios eletrocardiográficos têm sensibilidade limitada quando comparados ao ecocardiograma (padrão-ouro para massa ventricular esquerda). Fatores como idade, biotipo, espessura da parede torácica, pneumopatias e posicionamento dos eletrodos interferem na amplitude das ondas. Use estes critérios como ferramenta de triagem/rastreio, nunca isoladamente para decisão terapêutica — correlacione sempre com a clínica e, quando indicado, com exame de imagem.

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